Excertos

por Rodrigo Ghedin

Banners, paywall, crowdfunding: ainda espero o modelo de negócio ideal para a web

Não digo que irá acontecer, mas eu gostaria que o modelo de negócio padrão para a web mudasse drasticamente. Em outras palavras, que os anúncios dessem lugar a outras maneiras de sites e serviços se pagarem e a seus criadores, livrando-nos de propagandas intrusivas e sistemas de rastreamento que extrapolam o aceitável.

Mas se é tão improvável que isso mude, algum bom motivo tem. O ponto é que é realmente difícil encontrar outras formas de fazer dinheiro na web. De um blog pequeno ao Facebook, todos apelam para anúncios para pagar as contas no final do mês porque, ainda que (no geral) mal, é o que funciona.

Então é isso? É o fim? Não. Há quem aposte numa ruptura brutal e iminente. Algumas iniciativas diferentes estão acontecendo, agora. Tem um monte de gente e de empresas arriscando alternativas e pagando para ver se elas funcionam.

Eu quase tentei. Nunca quis colocar anúncios no finado Gemind. Ele chegou a ter e ainda tem (eu acho) alguns, mas ficam escondidos em posts publicados a mais de sete dias, ou seja, naqueles que, na maior parte dos casos, só quem vem de buscadores vê — o “leitor acidental”. É uma ideia legal porque ela não afeta tanto o leitor regular, que acompanha o seu trabalho e que, por isso, merece todo o seu respeito, atenção e cuidado no site.

Tínhamos algumas ideias meio mirabolantes para o Gemind, que iam da venda de itens virtuais a um sistema de assinatura com mensalidades baixíssimas para ganhar na quantidade. Eu desisti muito cedo por outros fatores que não vêm ao caso, mas havia dois entraves gigantescos nessa proposta da assinatura:

  1. Volume. Quando encerramos as atividades no blog, estávamos com pouco mais de três mil visitas por dia. Muitas vinham de buscadores, ou seja, eram leitores acidentais, que entram uma vez, correm o olho pela página e nunca mais voltam. Tínhamos uma base de leitores consolidados pequena e, ainda que crescêssemos muito, seria quase impossível convencer… sei lá… 3 mil pessoas a pagar R$ 5 por mês.
  2. Contraprestação ao leitor. Certo, vamos cobrar cincão por mês do leitor que quiser sustentar o site, que acredita no projeto. Mas o que ele ganha com isso além da satisfação de estar ajudando? Só isso talvez bastasse, mas eu acho meio injusto. Além do fator sentimental, é preciso oferecer alguma vantagem. Ainda não encontrei uma que: a) seja boa o suficiente para incentivar as assinaturas; e b) não seja tão boa a ponto de prejudicar a experiência do usuário “gratuito”.

Recentemente o New York Times e a Folha lançaram seus modelos de assinatura baseados em um paywall. Trata-se de uma cota gratuita mensal de acesso a artigos para todo mundo que, quando extrapolada, oferece a assinatura ilimitada ao leitor mais assíduo. Pagando, ele ganha acesso irrestrito ao site. Visitas de origem externa não gastam a cota e, pelo pouco que acompanho, o NYT está se saindo bem com o modelo — a Folha mudou faz pouco, ainda não li nada sobre seus resultados.

Isso não funcionaria no Gemind devido à diferença de tamanho e ritmo de conteúdo. A nossa cota teria que ser ridiculamente baixa para compelir leitores a fazerem a assinatura, o que acabaria batendo no item “b” dali de cima, ou seja, prejudicaria quem não quisesse gastar com o site.

Nessa semana vi um modelo semelhante, mas mais condizente com blogs pequenos. Ben Brooks instaurou um paywall um pouco diferente. Não é baseado em quantidade, mas em tempo: assine e tenha os artigos à sua disposição na hora em que eles forem publicados. Para os demais? Um atraso de sete dias. Ben justifica essa estratégia com o fato de que seu conteúdo é, em grande parte, atemporal. E a de adotar o paywall, para se livrar dos anúncios e das amarras que, de uma forma ou de outra, eles lhe impõem — anúncios contextuais são perigosos porque seus algoritmos não captam a essência do texto.

Vai dar certo? Nem o próprio Brooks sabe. Mas é uma tentativa válida. O Penny Arcade está usando a força do crowdfunding, via Kickstarter, para levantar grana suficiente para manter o site livre de anúncios por um ano. Eles querem “vender” o site para os leitores. Pediram US$ 250 mil, já conseguiram US$ 220 mil — e ainda falta 32 dias para levantar o restante.

Ainda veremos muitos erros e acertos na busca por alternativas até que alguma emplaque. Na real, se alguma emplacar, se for rentável, acessível e melhor que os anúncios em retorno e privacidade, todas essas experimentações e eventuais fracassos terão valido a pena.

13 Jul 2012 em #etc