Excertos

por Rodrigo Ghedin

Pica-Pau

Passei a sexta-feira de molho, acometido por uma inflamação na garganta. Restou-me pouco a fazer, então vi uns desenhos do Pica-Pau. Ok, minto: vi muitos desenhos do Pica-Pau.

Notei alguns aspectos que nunca me ocorreram na infância. Por exemplo, duas tentativas de índios, em episódios distintos, de escalpar o Pica-Pau com um machado. Caso lhe fuja o significado, “escalpar” é retirar a pele que recobre o crânio. Sem falar nos tiros, nas mortes, crossdressing e na moral dúbia (para dizer o mínimo) de todo mundo ali. Tem material suficiente para o MBL promover uns três ou quatro “boicotes”.

O Pica-Pau clássico é um desenho doentio equivocadamente indicado para crianças. É isso o que o torna tão divertido (para adultos!) mesmo após 50 anos, mas é errado demais para ser consertado mantendo sua essência. O péssimo remake de 1999 é uma prova e o filme, previsto para esse ano, deve ser outra, a definitiva, dessa impossibilidade.

24 Sep 2017