Excertos

por Rodrigo Ghedin

Cinema de rua

Quinta-feira passada (28/3), a prefeitura de Curitiba inaugurou um cinema de rua municipal no Centro, o Cine Passeio. Estou ansioso para conhecê-lo!

A inauguração do Cine Passeio me trouxe à memória as primeiras vezes em que assisti a filmes no cinema. Foi em um de rua também, o Cine Aston em Paranavaí (PR), inaugurado no início dos anos 2000.

A cidade estava há quase uma década sem ter um cinema. Na época, fiquei bastante empolgado com a novidade, mas por falta de referências e de entendimento da importância de se ocupar os espaços públicos, não compreendia o quão legal era ter um cinema do tipo, fora de um shopping.

Foi no Cine Aston que assisti pela primeira vez a um filme na tela grande: Harry Potter e a Pedra Filosofal, uma estreia meio morna mesmo no auge da minha adolescência e do fascínio pelos livros do bruxinho. Tudo bem, porque muitos outros vieram depois dele. Ia bastante ao cinema naquele período — em algumas fases pontuais, semanalmente. Com amigos, com as minhas irmãs, em galeras enormes, a encontros — a um só, na real, onde dei meu primeiro beijo na minha primeira namorada.

O Cine Aston ficava em uma rua que, já na época e até hoje, concentra alguns dos parcos restaurantes de Paranavaí. As calçadas ficavam cheias antes e depois das sessões e, por ser uma cidade pequena, era fácil topar com conhecidos. Muitas vezes chegava mais cedo para garantir um lugarzinho na sala; sessões lotadas eram comuns no início da operação. Em uma cidade tão carente de entretenimento, ganhar aquele cinema foi bom demais.

Cerca de uma década mais tarde, Paranavaí ganhou outro empreendimento digno de cidade grande: um shopping. O Cine Aston migrou para lá e a velha fachada de rua ficou abandonada, caindo aos pedaços.

Fachada do Cine Aston
Fachada do Cine Aston de rua, já há alguns anos abandonado, tirada em 2014.

31 Mar 2019