Excertos

por Rodrigo Ghedin

Foto de dois pratos, um em primeiro plano e focado, com um macarrão com camarões e cogumelos paris.

O melhor investimento em marketing que um restaurante pode fazer, sem sombra de dúvidas, é em fotografias profissionais ou minimamente atraentes dos seus pratos. (O macarrão da imagem não está à venda.)

13/6/2021

“Talvez sempre tenha sido assim e nós não soubéssemos, porque não tínhamos como saber. É como se estivéssemos olhando para uma Nigéria adulta que não conhecíamos.”

— Chimamanda Ngozi Adichie, Americanah.

13/6/2021

O inglês e a cobertura de tecnologia

Em resposta à última newsletter do Manual do Usuário, um leitor me disse: “Mesmo sendo fluente em inglês, incomodou-me o fato de quase todas indicações serem em outra língua. Isso não afasta um pouco o público? Estou sendo chato?”

Em primeiro lugar, não está sendo chato. Esse é, também, um incômodo meu. (Preocupo-me com essas questões, vide este post.) Quanto a afastar o público, em pesquisas passadas junto aos leitores a maioria revelou compreender bem o inglês. Ainda que esse cenário tenha se mantido, tem uma minoria que não lê em outro idioma. Então, sim, acho que afasta.

Incomoda-me muito só indicar coisas em inglês, ainda mais em um site de tecnologia. As principais empresas e novidades do setor vêm dos Estados Unidos, então há uma lógica no fato do inglês permear a cobertura, mas 1) tal influência não é exclusividade dessa área; e 2) acho que exageramos, nós, imprensa especializada em tecnologia, talvez perdendo o posto de mais colonizados apenas para os publicitários.

Às vezes, lendo sites nacionais dedicados à cobertura de tecnologia, tenho a impressão de que são escritos para brasileiros residentes em Manhattan ou San Francisco. São notícias muito locais de norte-americanos, de empresas e personagens que só importam a eles, com memes que sequer fazem sentido aqui e outros tantos detalhezinhos e detalhezões que me causam estranhamento e desconforto. O idioma é o português, mas falta brasilidade.

Uma das minhas lutas discretas à frente do Manual é desenvolver uma cobertura de tecnologia genuinamente brasileira. Atenta ao que acontece nos EUA, mas que limita o que repercute de lá àquilo que nos atinge e que de fato importe a alguém que resida no Brasil.

Tal cuidado se estende à nossa atuação em curadoria, manifesta nas newsletters. Esforço-me para buscar conteúdo nacional, em português. Não é fácil. Por aqui, faz-se muito hard news, mas pouco conteúdo de fôlego original, criativo. Faltam blogs pessoais. Nos veículos profissionais e especializados, faltam pautas malucas ou surpreendentes; falta arrojo. E as reportagens mais relevantes acabam feitas pelos jornalões ou por publicações de negócios, com seus vícios e vieses.

Sei que muitos alguns colegas do meio já me olham torto, então reforço: não estou desdenhando do trabalho deles, de vocês, mas sim pedindo para que façam mais, para que se arrisquem mais. Que sejam menos The Verge ou Engadget, porque não é como se o The Verge ou o Engadget não estivessem acessíveis a todos nós. A gente é capaz de fazer coisas tão legais quanto as que os gringos fazem e o Brasil é uma mina infinita de histórias fascinantes e de problemas a serem revelados e questionados. Não é por escassez de pautas que esse tipo de conteúdo é tão raro.

Nas últimas semanas, tenho achado ainda mais difícil encontrar conteúdo original que valha um link nas newsletters do Manual. Será a pandemia? Porque eu estou mentalmente esgotado e, por mais que tente não deixar isso “vazar” para o site, não tenho certeza se estou sendo bem sucedido. É difícil pensar em coisas diferentes estando no meio de um genocídio. Seguimos tentando.

O Manual tem um alcance limitado, porém gosto de usá-lo para promover coisas diferentes e legais. Toda quarta, abro um post para pedir indicações de leitura aos leitores. Nem todas entram nas newsletters, mas referencio o post nelas para que os inscritos leiam essas indicações colaborativas. E, fora dali, estou sempre aberto a sugestões — mande por e-mail, no Twitter, onde der.

29/5/2021

Que saudade do futuro.

— Murilo Mendes (via).

24/5/2021

Orem por mim: acabei de fazer uma compra meio cara, de um produto usado, que tinha um “Super Conservada” na descrição do anúncio 🙏

22/5/2021

Sobretudo devemos a [Günther] Anders o diagnóstico mais dramático do mundo mediático: “o conceito de progresso nos faz cegos para o apocalipse”. Isso equivale a dizer que nossos olhos foram anestesiados, sedados, para não mais ver os cenários catastróficos que o homem constrói no seu afã de apropriação ilimitada do mundo.

— Norval Baitello Júnior, A era da iconofagia.

7/5/2021

Recebi um e-mail marketing da farmácia com o assunto “O fim de semana tá chegando!” e ainda estou tentando dar sentido a isso. Estão me sugerindo uma overdose?

7/5/2021

A gente quer ajudar o pequeno comerciante do bairro, aí o pequeno comerciante aumenta o custo da entrega em 100%, sem aviso nem nada.

22/4/2021

Eu era absolutamente soviético: gostar de dinheiro era vergonhoso, o certo era amar os sonhos. (Acende um cigarro e fica em silêncio.)

— Svetlana Alexievich, O fim do homem soviético.

12/4/2021

Raspei a cabeça esperançoso de que ia ficar com um visual zen, meio budista, mas fiquei parecendo aqueles caras que espancam budista.

7/4/2021