Excertos

por Rodrigo Ghedin

10 anos

Em tempos de crise, baixei a política da austeridade econômica em… bem, onde deu. Então quando a fatura da hospedagem chegou no e-mail, cobrando US$ 10 para manter no ar um blog às moscas (este), o espólio de um site que fracassou e um projeto da universidade, não tive muita dúvida: esse era um gasto que podia ser cortado e assim foi.

Quando criei meu blog pessoal, em maio de 2005, o lar onde ele repousa hoje não existia — o WordPress.com só abriria um beta para interessados alguns meses depois, em agosto daquele ano. O Twitter também não existia. O Google Reader nasceu e pereceu nesse meio tempo. O Facebook ainda era fechado em universidades americanas e o Orkut estava bombando por aqui, fazendo mais pela inclusão digital via atalho das lan houses do que qualquer governo já fizera até então. (Smartphones? Pff…)

Ele, meu blog, surgiu numa web bem diferente. Menos movimentada, mais inóspita e exigente com quem se aventurava a bordo do Internet Explorer ou do então queridinho dos vanguardistas, o recém-lançado Firefox. Eu achei que ter um site, ou melhor, um blog com meu nome fosse uma coisa legal e, por que não?, fui lá e criei um.

Este blog completou dez anos (!) e eu nem percebi. Nesse meio tempo eu me formei, comecei outra faculdade, tranquei o curso, comecei mais uma e nessa espero chegar ao final. Toda a minha carreira se desenvolveu nesse intervalo. Mudei de cidade, conheci o além mar, tive alguns rolos, um namoro, fiz e perdi amizades pela pura falta de cultivo, mudei muitas opiniões, um monte delas, dez anos atrás, tidas como cláusulas pétreas — desculpe, foi apenas um lapso; também parei com referências jurídicas (é meio brega, né?) em meio a conversas cotidianas.

Naquele primeiro post, publicado no dia 13 de maio de 2005, escrevi cheio de presunção:

O mais curioso é que, de cada dez blogs criados, se um vingar, é muito. Empolgação de principiante… Murcha tão rápido quanto floresce. Mas então, por que criar um blog, este blog?

Em minha defesa, o meu vingou. Ele é bem diferente do que era no início e, mesmo assim, ainda não sei muito bem por que o criei. Achava que sabia no começo, mal podia imaginar que ele mudaria tanto depois daquilo e jamais teria um propósito.

Houve épocas em que achava isso o máximo e escrevia bastante sobre tudo, apenas para alguns meses ou anos mais tarde apagar boa parte daquelas bobagens. Em outras, reservava esta área de texto onde estou digitando para questões que julgava profundas. Isso aqui era um palco para grandes discussões! Talvez essa falta de foco explique a longevidade do meu blog pessoal (esse termo ainda existe?); de outra forma, não saberia explicá-la.

Não sei se ele estará no ar em 2025, muito menos que formato terá. De alguns textos eu ainda gosto, mas são raros aqueles, principalmente da primeira metade da década, que atravessaram todo esse tempo sem que, em algum aspecto, passasse a me incomodar. Eu mudo de opinião com frequência e acho isso saudável, o que acaba gerando pequenos paradoxos quando sento, escrevo e publico as ideias do momento — ou seja, quando eu efetivamente as registro para me contrariar algum tempo depois.

Dez anos é uma era e, apesar dos pesares, dos transtornos e gastos, do tempo perdido com layouts ruins e outros fossos de horas mal usadas, e da falta de rumo ou propósito desse blog, o fato dele ainda estar no ar é algo que acho legal. Só não me pergunte o porquê; eu não sei explicar.

23 Jun 2015 em #meta