Excertos

por Rodrigo Ghedin

"First Blood"

Dias atrás, zapeando em frente à TV, me deparei com Rambo IV. Assisti a um trecho e fui dormir, decidido a rever a quadrilogia do exércio-de-um-homem-só John Rambo.

Ontem assisti a First Blood, primeiro filme da série, de 1982. Fazia anos que não via qualquer coisa de Rambo, de modo que pouca coisa me lembro das reprises que passavam na Temperatura Máxima no início da década de 1990…

First Blood começa com John descobrindo que um dos seus amigos na guerra do Vietnã morreu de câncer. Ele, então, chega a uma cidadezinha, é destratado pelo xerife local, Teasle, e literalmente surta. Cria uma guerra contra os seus, fere um punhado de policiais, mata alguns, quase sempre sob a vigilância do Tenente Trautman, que faz o papel de “quem avisa amigo é”, ressaltando ao vingativo xerife o quão truculento e invencível Rambo é.

— Está dizendo que 200 homens contra seu garoto não é o suficiente?
— Mande esses homens, mas não se esqueça de mais uma coisa.
— O quê?
—  Um bom estoque de sacos para cadáveres.

Os diálogos são nesse nível.

Não é fácil simpatizar com Rambo. O cara chega numa cidade estranha, declara guerra contra a polícia, depreda boa parte da rede elétrica, atira para todo lado… Mas aí, no final, encurralado na delegacia, ele desaba em lágrimas e expõe a vida insuportável que leva desde que voltou da guerra, sem amigos, sem oportunidades, tachado de assassino, um trapo perante a sociedade.

Para quem espera um filme de guerra, sanguinolento e sem cérebro, First Blood é meio que surpreendente.

3 Dec 2010