Excertos

por Rodrigo Ghedin

Rando

O Rando é um app de compartilhamento de fotos que se limita a isso. Ele é antissocial: não tem contatos, curtidas, comentários. Nem perfil.

Suas fotos jamais serão recuperadas, você não escolhe quais fotos pode ver, nem de quem, e a quantidade delas está limitada à das que você envia — é uma relação de troca, de dar para receber.

É uma experiência bem bacana. Libertadora, instigante, despreocupada.

A imprevisibilidade do que virá a seguir e a possibilidade de ver onde a foto foi tirada é uma combinação mágica. Um teclado no Kuwait. Uma mesa posta com duas taças de vinho em Kaliningrado. O céu azul da Jordânia. Um buda em Nova Jersey. Uma apetitosa fatia de bolo na Inglaterra. Apenas algumas fotos, ou presentes, que já recebi pelo app.

App, aliás, muito bem feito. Interface elegante e fácil de mexer.

Um leitor disse:

“Não entendi muito bem o Rando. Tiro as fotos, mas depois não tem onde vê-las e depois já vai direto para a opção de tirar outra foto.”

A foto não é sua, esqueça um pouco o conceito de propriedade. Pense nas que você tira como contribuições para, sei lá, inspirar ou atiçar a curiosidade de alguém que você não conhece, de alguém que jamais conhecerá. Um gesto de bondade para com um estranho, uma celebração da boa fotografia.

Comentário bem feliz de Matt Miller, co-fundador da ustwo, empresa que desenvolveu o Rando:

“O Rando foi projetado para conectar pessoas/usuários ao mundo sem o fardo de ser amigo/seguir outros usuários. Isso por si só dá liberdade aos usuários em vários níveis. Nada de comentários, curtidas, compartilhamentos, amigos, títulos, legendas, hashtags – é apenas você e as fotos. Ao remover a necessidade de seguir usuários, nós aumentamos as chances de receber uma variedade de fotos de lugares inesperados do mundo inteiro. (…) O Rando entrega resultados inesperados de uma maneira muito libertadora; ninguém receberá a mesma foto que você.”

Tem para Android e iPhone.

14 Apr 2013 em #tecnologia