Excertos

por Rodrigo Ghedin

29

Morássemos nós em Saturno eu estaria prestes a completar meu primeiro aniversário, mas como nosso único lar ainda é a Terra, hoje eu faço 29 anos. Se isso é muito ou pouco, depende do referencial. (No que realmente importa, como eu me sinto, estou bem, obrigado!)

Bem e um tanto ocupado, como estava há um ano. Só que, agora, não sinto mais aquela pressão, a angústia para dar conta de tudo. Bem ou mal, melhor seguir em frente do que jeito que dá.

Sempre relutei em viver “do jeito que dá”, fazer o mínimo viável para que algo se sustente. Parece preguiçoso e eu não sou (ou não quero ser visto) assim. Aqui neste pedaço poderia falar do meu apreço por, ou “defeito” de ser perfeccionista, mas isso só existe em currículos ruins. Sem falar que a perfeição é válida somente como objetivo. Quando alcançada, se desdobra em um sinal de alerta, como se alguém dissesse “hey, é hora de mudar, de tentar algo diferente”. Na real, simplesmente dar conta de tudo já é algo grande e fico satisfeito quando consigo isso.

Ter essa perspectiva me livrou de muito peso. Tenho feito as minhas coisas (praticamente as mesmas de um ano atrás), lidado com as intempéries da vida, tentado me divertir e me aceitar mais como sou. É uma mentalidade mais pragmática, desprendida. Difícil de aceitar, mas libertadora — inclusive para tentar aperfeiçoar o que está sendo feito. É como se, até então, eu estivesse invertendo a ordem, buscando a perfeição antes da efetivamente me deparar com as situações. E era tão obviamente errado que até um ditado popular, desses bem clichês, dava a dica: “a prática leva à perfeição”.

O último ano na casa dos vinte é emblemático. No meu caso, será também por marcar o fim de uma grande fase que demorou um bocado, a da graduação. (Ou das graduações; já deu de faculdade.) Estou ansioso por isso e, ao mesmo tempo, aberto ao que vier depois. Será um bom ano.

Anos anteriores: 24, 25, 26, 27 e 28.

8 Nov 2015