Excertos

por Rodrigo Ghedin

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O último ano começou de uma maneira inesperada, com uma demissão. Abriu-se ali o caminho para viver um ano que sempre tive certeza que viveria, mas do qual sempre me esquivara até então: o de viver sozinho e trabalhar por conta própria, com dedicação exclusiva, no Manual do Usuário.

Os meus 32 foram um pouco áridos. Passei um tempão comigo mesmo, talvez mais do que seja saudável. Desgostei de muita coisa, vi-me impotente em muitos momentos, quase virei um cínico. Mas ainda tenho esperança. A vida pode melhorar, apesar dos pesares.

Há um ano, havia acabado de me inscrever em uma academia de ginástica. Sigo frequentando-a. É um lugar chato, mas os resultados compensam. Vendi meu carro e acho que contribuí para o silêncio digital, esse estado raro em uma época em que todos falam muito e muito alto. A única coisa que desejo para este ano que se inicia é falar com mais pessoas olho no olho, sem uma tela entre nós. Acho que é viável.

Anos anteriores: 24, 25, 26, 27, 28, 29, 30, 31 e 32.

8 Nov 2019